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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

O menino

Eu me lembro daquele menino que sonhava em ser adulto. Sonhava que quando atingisse a maioridade teria o mundo em suas mãos. Sonhava que o "Não" era uma palavra fácil de dizer pela quantidade de vezes que a ouviu. Sonhou que estrutura familiar não faria falta. Que poderia ser sozinho sem depender de ninguém.

Jurou ser a pessoa mais legal do mundo. Que não iria brigar e que era simpatizante do "sempre dialogar". Conhecia os problemas do mundo pela TV. Achava que era só desligar a TV que tudo iria se ajeitar sozinho. Eu me lembro daquele menino. Cheio de sonhos.

Então ele acordou, ou melhor a maioridade chegou e com ela e até antes disso, as responsabilidades que tanto queria se tornaram um fardo que ele não estava preparado para suportar. Sofre para dizer o não e com isso sofre na maioria das vezes que diz sim. Aprendeu da pior forma que abaixar a cabeça para "pacificar" as coisas não é uma boa ideia. Aprendeu que não querer depender de ninguém o tornou um tanto solitário. Aprendeu que que as vezes é preciso fechar a cara, erguer a cabeça e dizer o que pensa e o que defende como correto.

Ele já aprendeu muita coisa. Mas falta muito ainda. O mais difícil é mudar e quem sabe um dia ele chega lá.


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Janela aberta

O vento entrava como uma briza suave jogando seus cabelos ondulados para os lados, o por do sol mais laranjado que um dia comum, nuvens escuras se misturavam entre as rosadas enquanto ao lado oposto as estrelas ganhavam espaço. Como aquela pintura no céu um sorriso se abriu, um riso do coração se ouviu ao ver o esplendor daquele final de dia. Mas se lembrou de como seu dia foi difícil, se lembrou dos problemas, e tudo que passou naquele dia, então o sorriso que havia se fechado brilhou novamente pois se lembrou do que a fazia continuar, por que se lembrou de que todo problema, toda luda, tudo aquilo a entristecia não podia mudar quem ela era, sua essência, seu caráter. Se lembrou que tudo passa, ao seu tempo tudo passa.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Uma vida entre quatro paredes

Enquanto ele sorria, escondia no fundo dos seus olhos uma verdade que desejara nunca ser descoberta. Sua maldição escondida em quatro paredes o matava a cada segundo fragmentando e escondendo tudo aquela bondade que havia descoberta em sua infância. Também em sua infância descobriu a maldade, o gosto bom e amargo que lhe trazia desgosto e satisfação. Desde então fora travada uma batalha sem fim entre os dois lados que desgastavam seus pensamento e o fazia cair.

Descobriu no amor sua maior força, mas não demorou muito para descobrir que sua maior força também era um ponto fraco que podia facilmente ser atacado sem nenhuma possibilidade de defesa. Em uma nova fase, agora adulta, esta guerra se tornou sangrenta. Se corpo começou a demonstrar sinais de que não aguentaria tanto tempo como imaginara. Sua vida era influenciada por essa guerra, seus atos dependiam do lado que estivesse mais forte naquele momento o fazendo duvidar de tudo que havia aprendido até ali.

Foi quase no final de sua que ele descobriu que suas armas, suas escolhas, seus atos estavam sendo usados de forma errada. Amou aquilo que não fazia sentido, descobriu o amor capaz de doar sua própria vida, olhava para todos os lado, tentou de tudo e esqueceu de olhar firme para o único alvo que iria lhe trazer paz. Escolheu não se relacionar, achou que suas forças era o suficiente para vencer.

Não foi preciso fazer muito apenas reconhecer que não era tudo aquilo que pensava ser, que era fraco e que havia caído. Reconheceu o Salvador e se salvou e de si mesmo se libertou. Neste exato momento a guerra cessou, ouve silêncio, escuridão e logo uma luz penetrante se acendeu e tudo transformou uma paz como nunca sentiu. Uma lágrima, não de dor, mas alívio e felicidade escorreu por seu rosto.

Demorou toda uma vida para descobrir que a sua salvação sempre caminhou do lado dele, ele só tinha que olhar para o lado certo, o lado da voz que sempre o chamou.


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